Partos Boa Vista/RR, Casa da família

A chegada do Arthur

RELATO DE UMA FOTÓGRAFA DE PARTO (EXAUSTA!)

Durante 17 horas, a casa do Daniel e da Cíntia foi a minha casa. Mas essa história começou lá atrás...


28/09/2019, 8:42. Mensagem do Dani: “Lanne, bom dia! Tudo bem? A Cíntia agora está com 36 semanas. Vamos optar pelo parto domiciliar. Teria como a gente passar no estúdio hoje pra conversarmos contigo?”


Não sei se você teve a oportunidade de acompanhar um parto, mesmo que uma cesárea. É um momento inexplicável. É um verdadeiro milagre que acontece. Mas pense num parto natural e domiciliar. Pensou? Pois é. Eu tremi feito vara verde de medo quando o Dani me disse que eles tinham decidido sobre o parto, que seria domiciliar, e que queriam que eu registrasse essa jornada. No mesmo dia fui à casa deles conversar sobre e conhecer a Andressa, enfermeira responsável pelo acompanhamento do parto. Detalhes ajustados, era só aguardar o grande dia.


Havia muita esperança que o parto ocorresse em casa. A casa, o quarto e os corações de todos foram preparados desde então.


Na manhã do dia 17 a Andressa me manda uma mensagem dizendo acreditar que a Cíntia estava em trabalho de parto e que me manteria informada nas próximas horas. 16:30  o chamado: pode vir daqui uma hora. Desde cedo minhas coisas já estavam prontas. Foi só pegar tudo e ir ao encontro deles. Renato me levou. Eu lembro que, dentro do carro, pedi que Deus cuidasse de todos e me desse sabedoria pra lidar com o que eu veria pela frente.


17:40 bati na porta. Estavam lá Daniel, Cíntia e a equipe que acompanharia tudo: Andressa, Paula e Luma. Seríamos só nós pelas próximas horas.

O tempo foi passando e eu fui entendendo as mudanças que estavam acontecendo no corpo da Cíntia. As contrações aumentando, o silêncio cada vez mais necessário, e a certeza de que era aquilo mesmo que ela queria. Sem falar da dedicação do Daniel com ela e com a gente. Até macarronada o papai fez! E a gente nem sabia o quanto aquela macarronada ajudaria na madrugada.


Banqueta, ausculta, banheira, ausculta, caminha no corredor, ausculta, chuveiro, ausculta. O coraçãozinho do Arthur era conferido de perto.


O relógio era implacável e o cansaço de todo mundo era visível. Lá pelas 4:30  a Andressa disse pra eu tirar um cochilo, que qualquer coisa me chamava. Eu desabei pelo cansaço, mas mantive ouvidos atentos, o que não me fez dormir tão bem.


5:49h eu levantei. Cíntia estava no sofá. O dia nasceu e a ouvi dizer que desde sempre ela sonhou que o Arthur nasceria com a luz do dia. Eu brinquei que ele podia nascer, que não faltava mais nada.


As três horas mais intensas de dor do trabalho de parto estavam a caminho. Foram lavadas pela água morna que caía do chuveiro. Sentada em uma banqueta, Cintia deixava a água acariciar sua lombar enquanto, em silêncio, exercitava a respiração mais concentrada que já vi na vida. Exaurida, às 9:27h, com toda a força que ainda lhe restava, ajudou Arthur a nascer pelas mãos do Daniel. Eu, Paula, Luma e Andressa parimos junto. Eu acho que nunca serei capaz de explicar o sentimento que me abraçou naquele momento.


Chorei no quarto do Arthur. Agradeci a Deus pelo cuidado até ali. Acompanhei os primeiros momentos daquela família que nasceu na minha frente. Cíntia logo amamentou, o pequeno estava faminto!


Às 10:59 Renato foi me buscar. Saí dali exausta, mas com o coração cheio de gratidão pelo privilégio de viver aquilo tudo.


Essas foram as 17h mais loucas da minha vida. E como eu amo tudo isso!